No próximo sábado (15) é comemorado o Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. A data, instituída em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa, tem o objetivo de criar uma consciência mundial, social e política da existência da violência contra a pessoa idosa.

Com a ideia de estender as ações para todo o mês, o Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), em parceria com a Associação dos Bancários Aposentados de São Paulo, lançou a campanha Junho Violeta, com o tema “Violetas contra a Violência” e lema “Dignidade e Respeito para com a Pessoa Idosa”.

Palestras, debates, documentários e reuniões estão sendo realizadas em todo o país com o objetivo de chamar a atenção das pessoas à necessidade de estar atento a um problema que cresce a cada ano. Mais do que tratar os idosos com dignidade e respeito, é preciso denunciar casos de violência às autoridades competentes, já que amor, culpa e vergonha muitas vezes impedem que os idosos denunciem os responsáveis por abusos, na sua maioria parentes ou pessoas próximas.

De acordo com dados do Ministério dos Direitos Humanos, só nos primeiros cinco meses de 2018, o Disque 100 registrou 3.286 casos de violência contra idosos no Brasil. Em 2017, o total foi de 33.133 casos em todo o país, com maior ocorrência nos estados de São Paulo (21,59%), Minas Gerais (13,20%) e Rio de Janeiro (13,10%). Embora esse número represente um aumento de 1,54% em relação a 2016, é possível notar que alguns tipos de violência tiveram menor ocorrência, como discriminação, que caiu de 131 para 127 casos; violência física, de 9.142 para 8.955 casos; trabalho escravo, de 88 para 23; e violações de direitos humanos, de 259 para 88 casos.

A superintendente de Defesa dos Direitos Humanos do Rio de Janeiro, Melissa Areal Pires, lamentou que ainda haja tantos casos de violência contra o idoso e informou que a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), através da Subsecretaria de Políticas para Idosos, realiza constantemente ações de conscientização, com a distribuição de material informativo sobre a violência contra idosos e o estatuto do idoso.

“Neste sentido, temos firmado parcerias com a sociedade, com o intuito de trazer para o debate todos que são envolvidos na preservação dos direitos da pessoa idosa”, afirmou Melissa. Ela lembrou também que a SEDHMI criou, em outubro de 2017, o Disque Idoso, um canal voltado exclusivamente para receber demandas da população idosa, como denúncias e informações e orientações. “As denúncias de violações de direitos são tratadas por uma equipe técnica especializada da Secretaria”, destacou a superintendente.

Saiba quais são os tipos de violência contra idosos:

  • Violência Física: é o uso da força física para compelir os idosos a fazerem o que não desejam, para feri-los, provocar dor, incapacidade ou morte;
  • Violência Psicológica: corresponde a agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar do convívio social;
  • Violência Sexual: refere-se ao ato ou jogo sexual de caráter homo ou hetero-relacional, utilizando pessoas idosas. Esses abusos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças;
  • Abandono: é uma de violência que se manifesta pela ausência ou deserção dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de prestarem socorro a uma pessoa idosa que necessite de proteção e assistência;
  • Negligência: refere-se à recusa ou à omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos por parte dos responsáveis familiares ou institucionais. A negligência é uma das formas de violência mais presente no país. Ela se manifesta, freqüentemente, associada a outros abusos que geram lesões e traumas físicos, emocionais e sociais, em particular, para as que se encontram em situação de múltipla dependência ou incapacidade;
  • Violência Financeira ou econômica: consiste na exploração imprópria ou ilegal ou ao uso não consentido pela pessoa idosa de seus recursos financeiros e patrimoniais;
  • Auto-negligência: diz respeito à conduta da pessoa idosa que ameaça a sua própria saúde ou segurança, pela recusa de prover cuidados necessários a si mesma;
  • Violência Medicamentosa: é administração por familiares, cuidadores e profissionais dos medicamentos prescritos, de forma indevida, aumentando, diminuindo ou excluindo os medicamentos.

Fonte: Instituto Mongeral Aegon