O sono é uma condição fisiológica de atividade cerebral, natural e periódica, caracterizada por modificações do estado de consciência e redução da sensibilidade aos estímulos ambientais, acompanhadas por características motoras e posturais próprias, além de alterações autonômicas. A ocorrência do sono em ciclos previsíveis e natural capacidade de reversão de um estado de relativa não reação a estímulos externos (sono-vigília) são condições que permitem distinguir o sono de estados de perda de consciência patológicos.

A função do sono, ainda mal conhecida, continua a ser explorada. Dentre as hipóteses aventadas, existem as de promover a facilitar a conservação de energia e da função ecológica, o aprendizado e a memória por meio de mudanças na plasticidade cerebral e na sinaptogênese o processo restaurativo de componentes-chave celulares de biossíntese de macromoléculas.

A insônia é um dos distúrbios do sono mais frequentes na população, produzindo consequências no funcionamento diurno e noturno de aspectos físicos, psíquicos e sociais. Está diretamente associada aos transtornos psiquiátricos. Sua persistência é fator de risco para a depressão, tornando-se um ciclo vicioso, como dito anteriormente. Os principais acometimentos relacionados com o desempenho ocupacional dos indivíduos adultos referem-se aos prejuízos apresentados em diferentes contextos, como nos ambientes escolar, familiar, social e de trabalho, além do abuso de substâncias, como álcool e drogas, e aumento significativo do risco de suicídio, além da associação direta com doenças clínicas, como infarto agudo do miocárdio (IAM)e acidente vascular encefálico. Estudos sugerem que quanto maior o número de sintomas de insônia, maior o risco de IAM. Outro estudo avaliou 21.438 pacientes com insônia e 643.415 pacientes sem insônia, em um período de seguimento de quatro anos.

Observam-se também alterações cognitivas relacionadas principalmente com memória, concentração e atenção; fadiga durante o dia; menos produtividade no trabalho ou nas atividades diária, de modo geral, absenteísmo, destacando-se esse aspecto ligado ao trabalho; distúrbios de humor; ansiedade; relações familiares e sociais prejudicadas; acidentes no trabalho.

O Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, quinta edição (DSM-V). define insônia segundo os seguintes critérios:

  1. Queixa de insatisfação com a quantidade ou qualidade do sono, associada a um (ou mais) dos seguintes sintomas:
  2. Dificuldade de iniciar o sono;
  3. Dificuldade de manter o sono, caracterizado por frequentes despertares ou problemas em retornar a dormir após o despertar;
  4. Despertar precoce pela manhã com dificuldade de retornar ao sono.
  5. O distúrbio do sono causa clinicamente comprometimento do funcionamento social, ocupacional, educacional, acadêmico, comportamental ou em outra área importante.
  6. A dificuldade de dormir ocorre pelo menos em três noites da semana.
  7. A dificuldade de dormir está presente em pelo menos três meses.
  8. A dificuldade de dormir ocorre a despeito de oportunidade adequada para o sono.
  9. A insônia não é mais bem explicada, ou não ocorre exclusivamente, durante o curso de outro transtorno do sono (narcolepsia, transtorno respiratório do sono, transtorno do ritmo circardiano vigília-sono e perassonia).
  10. A insônia não é atribuída e efeitos fisiológicos de uma substância (como uso abusivo de drogas e medicamentos).
  11. Transtorno mental coexistente e condições médicas não explicam a queixa predominante de insônia.

Fonte: Fascículo 2 do livro Depressão e seus Impactos